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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Grupo de teatro experimental da UFT busca apoio

O projeto de teatro experimental da Universidade Federal do Tocantins nasceu em 2011 através de uma parceria da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários da UFT (PROEX) que cedeu um espaço dentro do campus de Palmas para realização dos ensaios, e também disponibilizou o transporte para locomoção e custeio de impressão de cartazes de divulgação.
O grupo busca apoio em editais, está inscrito no programa da operadora Oi que incentiva projetos culturais e segundo a coordenadora do grupo teatral, Suely Mara Ribeiro Figueiredo, o projeto conta com uma peça aprovada pelo Ministério da Cultura (MinC), “Planos, tragédia e eu no Celular foi aceita pelo Ministério e deve receber patrocínios” festeja.
A equipe é formada por 20 componentes selecionados entre 60 inscritos e revelam persistência porque já contam com quatro meses de ensaio. A peça “Planos, tragédia e eu no Celular” é dirigida pela professora de comunicação, Suely Mara Ribeiro Figueiredo, que também coordena o projeto. Os ensaios são realizados aos sábados, às 14h, no Anfiteatro do bloco B.
A equipe cênica e assistência de produção se diversificam, entre eles; acadêmicos, professores e funcionários administrativos do campus universitário de Palmas, e 16 atores se dividem nas tarefas de interpretar os personagens propostos com abordagens que remetem aos folhetins polêmicos, enquanto, quatro pessoas auxiliam nos ensaios e procedimentos técnicos da produção artística.
Os traços psicológicos de dupla personalidade, e preconceitos sociais estão presentes nos perfis dos personagens que mostram realidades dos diferentes mundos vividos paralelamente nos contextos de um travesti, adolescente, moça bonita viciada em crack, professor, e tantos outros ingredientes que afloram nas discussões sobre temas, que muitas vezes são considerados tabus nos âmbitos da sociedade.
A peça recebe apoio da lei criada no ano de 1991,  Lei Rouanet, que proporciona uma aliança entre cultura e negócios. Trata-se de uma lei federal que valoriza a emancipação da cultura na sociedade com a ajuda de empresas que se comprometem a propagar o desenvolvimento cultural.
Para ser enquadrado na lei, o projeto deve passar pela aprovação do Ministério da Cultura e posteriormente ser apresentado à Coordenação Geral do Mecenato e aprovado pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura. As empresas patrocinadoras dos projetos recebem incentivos fiscais, tendo abatimento de determinada porcentagem em seu imposto de renda.
A conquista de patrocínios deve financiar a compra de figurinos, estruturação do ambiente de ensaio e logística das apresentações. A criação do projeto de teatro experimental da Universidade Federal do Tocantins contempla os estudantes e profissionais dos diversos cursos do campus de Palmas. 

Mais informações:
Edinaldo Viana

Arte na UFT, corredor cultural incentiva artistas a divulgar sua arte.

  Ano de 2012 começa com novidades para os interessados em cultura e arte, o prédio da reitoria será palco de exposição de arte para aqueles que adoram apreciar obras bidimensionais, essa linguagem artística será composta por desenhos e gravuras em papel, pinturas sobre tela e madeira, fotografias e também colagens.
  A Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários – PROEX será a responsável por este momento cultural, através do Projeto Espaço Corredor Cultural, os organizadores farão uma exposição artística que está com as inscrições abertas até o dia 20 de fevereiro, podem participar deste projeto toda a comunidade artística em geral, os professores, alunos, técnicos administrativos da universidade.
  O projeto de acordo com a assessora de comunicação Luana Nunes tem como objetivo dar espaço para divulgação dos trabalhos artísticos e sensibilização pela arte, além de promover a ocupação do corredor do bloco IV.
  “A intenção da divulgação do edital do corredor cultural é para promover a ocupação do espaço do bloco IV, nós temos os totens, os painéis fixos, com iluminação que atenderia uma exposição”, informou a assessora. Outra intenção do projeto é incentivar a produção artística dentro da universidade. “Trazer para a universidade projetos que promovam a cultura faz com que a gente incentive a cultura e crie o hábito das pessoas procurarem uma exposição de arte.”
Renato Moura
   A contrapartida e incentivo a arte é importante para disseminar a cultura, mas este projeto segundo o acadêmico do 6º período de filosofia e arte e também artesão, artista plástico Renato Moura tem que ter algumas mudanças que reavaliem a estrutura do local da exposição, que para ele não é adequada.
   “É bem vindo um corredor cultural, mas deveriam pensar no nosso pedido de transferir esse corredor para o anfiteatro, assunto que nuca teve retorno”, reivindica Renato Moura. “Eu sou a favor da exposição cultural, mas eu sugiro a administração da PROEX que mude o local, pois ele fica num prédio administrativo e de pouco acesso”.
  De acordo com a Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, Marluce Zacariotti “o local realmente não é adequado, porém é o que se tem no momento”, conforme as declarações da  pró-reitora foram feitos esforços para mudar o local, mas até o momento sem êxitos em função de questões administrativas.
   O projeto tem seu mérito e nesse caso mesmo com essas divergências é importante que as pessoas participem e mostrem o valor da arte. Conforme o edital os 3 artistas que forem selecionados participarão de uma vernissage e ainda terão o direito de expor suas obras durante os meses de março, abril e maio. Os interessados podem se inscrever no site da UFT.

Maiores informações:

Alynny Mendonça
alynnygrasiellepm@gmail.com
“Assim como há o tempo do pequi, também há o tempo dos buracos”

Condutores devem ter atenção redobradas neste período
Em Palmas o que não falta é buraco e os moradores estão acostumados com a velha promessa de que esse problema será resolvido. Parece coisa de cinema mais, a população já sabe de cor e salteado a desculpa de que no período da chuva a prefeitura não tem condições de trabalhar, mas quando chega o verão, o problema é esquecido, e assim segue a vida dos palmenses: sem solução.
Para alguns condutores de veículos automotivos, as vias públicas estão em estado de conservação melhor do que no ano passado, para outros, nem tanto. Christian Borchatd, analista de empresas, relata que as ruas melhoraram bastante e acredita que se a prefeitura fizer um reparo este ano, em 2013 a quantidade de buracos será menor ainda.

“Não justifica, hoje tem um buraco, eles vêm e tapam duma seguinte forma e quando vem a chuva ele se abre novamente”, reclama o motorista Evandro Silva, que garante existir uma forma técnica de solucionar o problema.
Talvez os únicos que podem não reclamar da situação são os proprietários de oficinas mecânicas, de alinhamentos, balanceamentos e borracharias, por atenderem condutores de carros e motos que caem nos buracos inesperados. Os condutores vivem a reclamar desta situação, porém a reclamação não passa de um diálogo entre colegas.
Para quem entende do assunto, os buracos em Palmas são resultado da falta de drenagem. Segundo José Guilherme, engenheiro civil e laboratorista de pavimentação, para solucionar o problema “os governantes deveriam trabalhar Palmas debaixo da terra, porque Palmas foi construída acima do subsolo, embaixo esqueceram” explica.
Em contra partida, os buracos parecem não ser um problema pois, para quem não se recorda da declaração do prefeito Raul Filho, no ano passado ele  disse que “assim como há o tempo do pequi, também há o tempo dos buracos e que a culpa é de São Pedro por mandar tanta chuva”.



Djavan Barbosa (djavan.barbosa@hotmail.com)

Tocantins ganha Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar

Foto: Divulgação
     A violência contra a mulher é um fato tanto no Brasil, onde em 2011, 42 mil mulheres foram assassinadas, sendo que 70% dos homicídios ocorreram em casa. Os dados são da Ouvidoria da  Secretária de Políticas das Mulheres da Presidência da República. 
No Tocantins, diariamente, várias mulheres são vítimas de maus tratos de seus companheiros e a maioria desses casos fica impune, porque as mulheres não têm coragem de denunciar seus agressores.
São várias as razões que levam a esse silêncio: o principal deles é a dificuldade de atendimento nas delegacias. Em Palmas, a delegacia da mulher só atende de segunda a sexta, o que não corresponde à necessidade da população, considerando que a maioria das ocorrências acontece nos finais de semana.
Outra dificuldade é a falta de acompanhamento à mulher que faz a denúncia: do momento em que registra a queixa e lhe é solicitado a realização do exame de corpo de delito no IML, a mulher é exposta ao constrangimento de ter que ir desacompanhada ao instituto. Nesse percurso, a maioria desiste de levar o caso adiante.
Para atender a essa demanda, o Tribunal de Justiça do Estado, criou no dia 26 de janeiro, a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar. O objetivo da Coordenadoria é coibir a violência, além de adotar procedimentos para processar e julgar as ações decorrentes dos atos previstos na Lei Maria da Penha.
Assim, as mulheres tocantinenses, que constantemente sofrem agressões físicas, psicológicas, sexuais e morais terão assistências jurídicas e sociais garantidas. Além disso, a Coordenadoria deve elaborar sugestões para aprimoramento da estrutura do Judiciário na área de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, inclusive dando suporte aos magistrados, servidores e às equipes multiprofissionais, colaborando para a formação inicial, continuada e especializada desses atores.
Segundo Rita de Cássia Pereira, coordenadora do Grupo de Apoio à Mulher (GAM), que atende às mulheres em situação de risco, grande parte das mulheres vítimas de agressão denuncia ainda que, não compareça à delegacia para registrar a ocorrência, além do que são mal atendidas e, em casos frequentes, são assediadas pelos oficiais.
Rita de Cássia enfatiza que falta atendimento qualificado para atender essas mulheres e apoio psicológico depois da denúncia formalizada. 
Sebastiana da Silva, 32 anos, foi vítima de maus-tratos e teve coragem de denunciar o ex companheiro para as autoridades. Segundo ela, essa atitude é essencial. “Ele não ficou preso, mas só o fato de ver que eu tive coragem de denunciar, já serviu de lição”, ressalta Sebastiana.
Dados divulgados pelo Tribunal de Justiça do Tocantins revelam que no ano de 2011, em 70% dos casos de violência no Tocantins, o agressor encontrava-se sobre o efeito de algum tipo de droga.
Os dados foram obtidos a partir de pesquisa realizada pela equipe multidisciplinar da vara, expondo assim, a necessidade de uma comissão que elabore políticas que coíbam o ato e assegure assistência jurídica.

Por Raymara Santos e Waleson Matheus
walesommatheus@hotmail.com

Inocência jornalística

OPINIÃO

Eduardo Azevedo - AGEX
A imparcialidade e o profissionalismo jornalístico são muito discutidos em rodas de conversas entre jornalistas e ainda mais em salas de formação destes profissionais. Nas rodas distribuídas em diversas disciplinas do curso os termos “imparcial” e  “ética” parecem próximos de serem alcançados. É nosso sonho comunicacional de cada aula. Presente, alí, na teoria. Mas na realidade, obviamente, tudo é diferente.
Citaremos como exemplo alguns veículos de comunicação do Tocantins. Neles a falta de profissionalismo é tão grande, que chega a ser absurda. Para esclarecer minha afirmação, explicarei um caso que eu tive o (des) prazer de presenciar. Em um típico dia comum em Palmas, recebi uma notícia sobre um acontecimento em uma cidade onde já morei, no interior do estado. A cidade é Barrolândia.
Como aprendi em algumas aulas na faculdade, e pela informação ser interessante, produzi uma sugestão de pauta bem trabalhada: havia um “possível” título para a matéria, descrição dos fatos, emails e até telefones das fontes para que o veículo que julgasse a notícia interessante,  pudesse ir atrás da informação. O que aconteceu? No outro dia ao acessar tags relacionados com a sugestão que eu havia encaminhado, com intuito de saber se alguma notícia sobre a pauta tinha sido produzida por alguém, percebi, que tinha algo publicado sobre o fato. A surpresa veio na leitura da publicação.
A própria sugestão de pauta que eu enviei, sem modificação alguma, com o nome das fontes e seus contatos, estava lá, exposta em um site de notícias. Afirmo novamente que era somente uma sugestão, que foi publicada como notícia inacabada, e ainda por cima com meu nome no crédito.
Primeiramente o diferencial de um bom mass media é o trabalho feito em cada notícia. É possível, ao ler uma matéria, classificá-la como bem trabalhada ou não. Quando há uma busca sobre a opinião dos  lados referidos em uma informação, por exemplo, (principal tarefa feita por um comunicador para obter a utópica imparcialidade jornalística) vemos a preocupação do veículo em explorar o fato, e se isso ocorre com frequência a fidelização de um determinado público pode ser maior.
Certo de que a tal da imparcialidade também é um sonho meu, ponho-me a suplicar aos veículos, como o citado no exemplo, no mínimo uma produção saudável das notícias. Se não há tempo para trabalhar uma pauta não publiquem a matéria. Simples.
Jornalistas, não queiram. Tenham. Não rascunhem. Contruam. Vamos tirar as mãos dos bolsos e empregá-las em algo útil de verdade. Não as escondam. Não se esconda. Tente e sempre ouse. Um dia o seu esforço será compensado.  A notícia sempre terá valor se houver uma apuração adequada. Vamos, jornalistas, mostrar empenho em nossas produções, e no caso dos responsáveis por meios de informação, cobrança para que aquilo que for informado tenha embasamento, profissionalismo e qualidade.
É um mero conselho de um comunicador em formação, mas que consegue perceber deficiências primárias no jornalismo que o rodeia. Queremos eficiência, apenas.

Para quem quiser acessar a pauta colocada como “matéria” citada no artigo basta acessar o link: http://www.atitudetocantins.com.br/?ctt=noticia.php&IdNoticia=11333 – Site do Jornal Atitude do Tocantins, Gurupi.

Opinião: Eduardo Azevedo, 
Contato: eduardoazevedo18@gmail.com

Ponto eletrônico obrigatório desagrada empresários

Após edição da portaria 1.510, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ainda em 2010, já está em vigor deste setembro do ano passado, as novas formas eletrônicas para o registro da jornada de trabalho (ponto). A medida não foi bem recebida pelos setores econômicos, fato que desencadeou no país um movimento para suspender a antiga portaria e criar um grupo de discussão da regulamentação sobre o novo controle de jornada.
A nova portaria de número 373, de 25 de fevereiro de 2011, do TEM, dispõe sobre a adoção do novo Registro Eletrônico de Ponto (REP) e determinou às empresas o prazo até dia 1º de setembro para adoção das novas exigências.

A regulamentação discorre sobre a utilização obrigatória do sistema alternativo e eletrônico de ponto para todas as empresas que possuem mais de dez funcionários. A medida gera a necessidade da troca total dos equipamentos utilizados atualmente, o que implica a necessidade de investimentos financeiros.
A Agex fez uma avaliação da recepção junto aos sindicatos filiados ao Sistema Fieto- Federação das Indústrias do Estado do Tocantins. A proximidade do prazo e impactos da nova regulamentação foram os aspectos mais comentados pelos sindicalistas.
“Apesar da grande maioria das empresas não possuir estrutura para implantar o ponto eletrônico, a adaptação é uma questão de tempo”, comenta Claudizete Santos, presidente do SIA- Sindicato das Indústrias da Alimentação do Estado do Tocantins.
“Acredito que após um trabalho de conscientização as empresas do Tocantins devem fazer as mudanças necessárias, mas qualquer mudança requer um tempo, principalmente quando se trata de micro e pequenas empresas”, argumenta Carlos Milhomem, presidente do SIPMME- Sindicato das Indústrias dos Produtos Minerais Não Metálicos do Estado do Tocantins.
“A maioria das empresas do Estado não possui maturidade suficiente para essa nova mudança, mas precisamos acatar a legislação”, disse Walter Atta Bitencourt, presidente do SIQFAR- Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Tocantins.
“É uma exigência que causa um impacto grande, principalmente, para o setor moveleiro”, diz José Vasque, presidente do SIMAM- Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário do Estado do Tocantins.
De acordo com o presidente do SIG- Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Tocantins, Sérgio Tavares, a estrutura do segmento gráfico, composta por micro e pequenas empresas não comportam o alto preço do equipamento. “O Tocantins não é um caso isolado, outros estados também não estão preparados. Falta estrutura, equipamentos e funcionalidade. Isso não vai cair muito bem”, afirma.
Para o presidente do SIME- Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico e Eletrônico do Estado do Tocantins, Emilson Vieira, o ponto eletrônico tem alto custo e deve gerar um transtorno financeiro aqui no Estado. “Por outro lado, o ponto eletrônico é uma forma de evitar problemas com relação às possíveis ações trabalhistas”, pondera.
“Essa nova medida exige um alto investimento e grande parte das empresas não está preparada para adotar a nova medida. Muitas já estão acostumadas a utilizar somente o cartão de ponto”, defende Luciano Rocha, presidente do Sinduscon- Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado do Tocantins.
José Febrônio, que encabeça o do Sindirepa- Sindicato das Indústrias de Reparação de Veículos, Máquinas, Aeronaves e Acessórios do Estado do Tocantins, defende as novas adequações para o registro eletrônico. “As empresas estão preparadas e já devem atender as exigências. Avalio que terá um impacto positivo no país. Estar em dia e de acordo com as exigências do mercado é obrigação de todo empresário”.
“Acho que deveriam dar mais um tempo para as empresas se adequarem. Já estamos organizando, mas essa medida trará um custo muito alto para as empresas”, argumenta Joaquim Carlos, presidente do Sindicarnes- Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado do Tocantins.
Carlos Suzana, presidente do Sindiato- Sindicato dos Beneficiadores de Arroz do Estado do Tocantins acredita que, após um trabalho de conscientização, tudo será normalizado. “As empresas tocantinenses não estão preparadas, mas precisam acatar as exigências. No início será um pouco complicado, mas depois todos devem se adequar”.
“A adoção do ponto eletrônico é muito importante, pois agora vai estar tudo nos conformes. Acredito que a medida deveria valer somente para grandes empresas devido o alto custo do equipamento”, pondera, Leide Mota, presidente do Sicon- Sindicato das Indústrias de Confecções do Estado do Tocantins.
Thaís Ramalho e Tássia Oliveira


Atos da Câmara Municipal de Palmas são secretos


Rubens Gonçalves

“O Diário Oficial da Câmara publicará todos os atos do Poder Legislativo, as atas das sessões e a sequência dos trabalhos parlamentares.” É o que prevê o Regimento Interno da Câmara Municipal de Palmas em seu artigo 102. Na prática, porém, não é o que acontece. Apesar de a lei preconizar a publicidade de todos os atos do poder público para o controle social, em tempo real, de informações detalhadas sobre a execução orçamentária e financeira em meios eletrônicos de acesso público, o Legislativo da Capital publica seus atos em um “placar”, no saguão da Casa.

O Regimento Interno, que prevê a publicidade dos atos do Legislativo municipal, é de 27 de dezembro de 2012. Completou, portanto, quatro anos no final do ano passado e nunca foi colocado em prática. Para checar estas informações basta uma busca no site da Câmara – www.cmpalmas.to.gov.br. O endereço eletrônico não traz praticamente nada sobre suas atividades.

Segundo informações da Câmara, os atos do Poder Legislativo são publicados no Diário Oficial do Município de Palmas www.diariooficial.palmas.to.gov.br. No entanto, buscas realizadas por nossa reportagem neste endereço mostram que apenas os atos jurídicos – como concessões de título de cidadão – aparecem no endereço eletrônico. Os atos administrativos, como nomeação ou exoneração de servidor, não aparecem em lugar nenhum.

Para o ex-vereador da Capital, Oriom Milhomem, o Legislativo de Palmas, de fato, carece de transparência. “A Câmara Municipal de Palmas não possui um Diário Oficial, tampouco publica seus atos legislativos e administrativos na internet. Estes, mais se assemelham aos famigerados ‘atos secretos’. Isso evidencia, cabalmente, o desrespeito a um dos princípios basilares da administração pública: o da publicidade”, explica.

No ano passado, ele ajuizou uma Ação Popular contra a Câmara porque os vereadores aumentaram seus próprios subsídios, o do prefeito Raul Filho (PT), da vice-prefeitura, Edna Agnolin (PDT), e dos secretários municipais, o que segundo Milhomem fere a Constituição Federal, uma vez que o aumento foi concedido para a mesma legislatura, quando deveria valer apenas para a próxima. A Ação Popular aguarda decisão da Vara dos Feitos das Fazendas e dos Registros Públicos da Comarca de Palmas.


Concurso

Se a Câmara possuísse um Diário Oficial, como prevê seu Regimento Interno, qualquer cidadão teria acesso aos atos legislativos e administrativos daquela Casa de Leis, a exemplo do número de servidores comissionados, que é maioria, e não há informações sobre o fato. O único concurso foi realizado em 1995, ou seja, há 17 anos. Informações de vereadores e servidores, que pediram para não ser identificados, dão conta de que o total de servidores contratados sem concurso público pode chegar a 800 contra os 35 funcionários concursados.

Do total dos comissionados, a maioria está lotada nos gabinetes. Esses, porém, não são remunerados diretamente pela Casa, já que cada um dos 12 vereadores dispõe de R$ 23 mil, a chamada verba de gabinete, para contratar pessoal. Mas além desses, há pelo menos outros 145 que ocupam cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS), com salários que variam de R$ 800 a R$ 5.830, ou funções de Direção e Assistência Direta (CAD), cujos salários vão de R$ 550 a R$ 1.000.

“Como os servidores de carreira são minoria na Casa [cerca de 50] cada novo presidente que assume costuma mudar os cargos e salários”, conta um dos concursados. No ano passado, a Casa aprovou a Resolução 136, que “dispõe sobre a estrutura organizacional e cargos em comissão, e estabelece as atividades e competências dos órgãos que a compõem”.

Na prática, a resolução criou e extinguiu cargos. Para isso revogou várias outras resoluções anteriores, que tratavam do mesmo assunto. De acordo com a Resolução 136, 30 servidores efetivos recebem Funções Gratificadas (FG) para exercer cargos de chefia. Nestes casos, porém, as gratificações são bem inferiores àquelas pagas aos comissionados, variando entre R$ 300 e R$ 450.

Troca
Segundo alguns vereadores e servidores, é nos acordos para as eleições de presidentes da Casa que os cargos comissionados são mais “valiosos”. Nessas ocasiões eles são utilizados como “moeda de troca”. De acordo com informações obtidas por nossa reportagem, para votar em determinado candidato, cada parlamentar teria uma espécie de “cota” de cargos para escolher livremente quem ocupará os mais importantes. Isso explicaria, em parte, porque os cargos melhor remunerados não são ocupados por servidores de carreira.

Revista Veja
Os elevados custos para manutenção dessa estrutura já chamaram a atenção da mídia nacional. Com base em um levantamento feito pela Organização Não Governamental (ONG) Transparência Brasil, a revista Veja publicou em 2011 uma reportagem sobre os gastos dos palmenses com a Câmara Municipal. “É em Palmas que os vereadores mais pesam no bolso da população. Para atender aos esparsos 228 mil habitantes da capital do Tocantins, a Câmara Municipal consome 18 milhões de reais – mais de 80 reais por morador a cada ano.”, diz a reportagem.

Por estas e outras distorções, a ONG Transparência Brasil chega a colocar em cheque a própria razão de ser das Câmaras municipais. Isso porque, segundo a entidade, os parlamentos estariam negligenciando suas principais funções: legislar e fiscalizar o Poder Executivo. “O problema é que o Executivo compra o apoio do parlamento via distribuição de cargos. É uma usina de corrupção, pois ao invés de servir aos cidadãos, servem aos partidos, a quem os patrocinou”, disse à reportagem da Veja o presidente da Transparência Brasil, Claudio Abramo.

A reportagem também abordou a falta de transparência dos atos do Legislativo de Palmas. Sobre o assunto a jornalista Fernanda Nascimento, autora da reportagem, escreveu: “ao contrário de São Paulo ou do Rio de Janeiro, os vereadores de Palmas não divulgam todas as suas propostas no site oficial. No endereço eletrônico, é possível consultar alguns projetos de lei – sem a possibilidade de pesquisa ou de consulta ao documento. Tampouco é divulgada a presença dos parlamentares em Plenário ou Comissões. Se o trabalho dos vereadores for tão eficiente quanto a transparência na Câmara, os moradores de Palmas estão pagando muito caro pelo Poder Legislativo municipal.”

Sem resposta
Nossa reportagem solicitou informações oficiais à Câmara Municipal de Palmas, por meio de ofício, mas até o fechamento desta edição não recebeu nenhuma resposta.